Vou postar aqui essa dialética positiva. O Engenheiro Fernando irá nos informar e nos instigar a chegarmos no melhor entendimento para nossa filosofia e nosso plano de realizar a aldeia dos artistas. Todos podem responder a ele, e seria ótimo que participassem mesmo, para criarmos um consenso coletivo que nos norteará. Mandem as respostas para ele através do meu email andreparisi@hotmail.com, que encaminharei para ele e postarei aqui no blog pra se tornar visível a todos. Conto com vocês pra darmos esse importante impulso a nosso sonho.
André,
Cap 1
Tem sido recorrentes de uns anos pra cá estes movimentos de sair das cidades.
Às vezes em grupos de amigos, às vezes só a família; o certo é que há um descontentamento crescente com um certo 'estado de coisas' que ninguém sabe bem o que é mas que chama de 'a falência do sistema'.
Não acreditamos mais em políticos nem em soluções centralizadas. O homem-social, este que somos (ver meu livro "O Homem-ecológico") que nos últimos 2 séculos construiu as bases do que hoje chamamos de civilização tecnológica optou por um modelo de gestão da vida pública concentrado nas mãos do estado, que sempre lutou para aperfeiçoar. Este ente, o estado, entretanto, mostra-se, a cada dia, mais incompetente para esta tarefa.
Esta fuga para o campo é uma tentativa de ficar longe disso de que não mais gostamos: o mundo pós-moderno, com tantas soluções para nosso conforto, mas tão ofensivo a nossa natureza animal e espiritual. Infelizmente este não é um movimento - que deveria ser -, de se aproximar de algo que realmente desejamos. Estamos fugindo de algo 'ruim' ... não buscando uma coisa que sabemos ser 'boa'. Não sabemos como é - ou como seria - a vida no campo. Os últimos que sabiam, nossos avós, não podem ser referência e não saberiam, diante do que a tecnologia fez com a nossa vida, dizer algo que seja útil e válido pra quem quer tomar tão importante decisão.
As experiências de ecovilas, por todo o mundo, não se mostraram eficazes ao ponto de se tornarem 'a solução'. Não conseguem se desvincular do 'sistema' que condenam e carregam pra dentro dos ambientes ecológicos o caos social que tudo permeia.
Temos solução?
Fernando
Fernando
André Parisi responde:
Muito boas as colocações e realmente ficam varias perguntas, nesse "temos solução?" Todas merecem reflexão a parte. Mas a resposta a essa pergunta, não é possível infelizmente, sem que se empreste a ela esperança ou desesperança.
Mas as perguntas adjacentes a essa questão, eu só separaria pra reflexão:
1- estamos fugindo?
2- pretendemos nos separar do sistema? somos contra o sistema?
3- Se não é isso, do que se trata?
Mas se tivesse que ser dado uma resposta a pergunta "Temos Solução?" Ela deveria ser sempre positiva, nem que nela houvesse algo de engano e erro. Porque o sentido de superação provocaria senão a solução final, algumas soluções.
Eu pessoalmente acho que nesse aspecto de resolver algo como a civilização, é algo para milhares e milhares de anos...Mas em tal ponto estamos da sociedade tecnológica que os avanços devam ocorrer em progressão geométrica daqui pra frente...
Acho que a aldeia dos artistas não tem a pretensão de ser o lugar perfeito na terra. Mas já que queremos fazer, porque não fazermos da melhor forma, no sentido de criar habitat e condições socioeconômicas que retire dinheiro e bens do sistema sem ter que se submeter a rotinas que são as engrenagens desse sistemas? Trocamos com o sistema como se fossemos uma entidade a parte. Um ritmo menos acelerado. Coisas feitas com outro espirito.
Quando imaginei a Aldeia dos artista na verdade estava pensando em mim tão egoisticamente como é possível ser. Percebi que não tinha condições financeiras de comprar nada pra morar, e ao mesmo tempo iria pagar aluguel pra sempre...Me dei conta que comprar um terreno e uma casa num lugar já loteado pode te colocar junto a pessoas que de uma razão ou outra podem tornar sua vida um inferno, pelo choque cultural, como o cara que ouve funk no ultimo volume e perturba todo bairro e não tá nem ai pra apelos.
Vislumbrei um plano: olha que legal se eu pudesse comprar minha casa...com esse pouco que ganho fazendo arte, e ela fosse num lugar lindo...Que eu pudesse ganhar dinheiro ali mesmo, graças a internet que me ligaria ao mundo,
e ao correio que carregaria meu trabalho para o mundo afora. Como eu vivi 2 anos sozinho no mato sei que é ótimo viver na natureza, mas que faz muita falta gente de um nível espiritual e Intelectual mais ou menos parecido, que houvesse verdadeira troca na convivência...Pessoas que poderiam unir forças no trabalho e na divisão das despesas. Pessoas pra ter vida social verdadeira, mesmo que ela pudesse correr o mesmo risco de qualquer outro lugar...Um pouco de drama sempre haverá. Mas pessoas escolhidas, e muitas vezes escolhidas por escolherem esse risco de deixar a zona de conforto e cair no desconhecido.
Para o mundo acho que o melhor a fazer é ser um exemplo, e votar bem. Parece simples mais isso requer muita consciência e atitude.
Um abraço Engenheiro Fernando Pacheco e passo a bola a você. E a todos os amigos se sintam a vontade pra desenvolvermos essa ideia.
Eu pergunto se podemos viver outro habitat e rotina, sustentáveis, e nos relacionarmos com o sistema de forma peculiar, não fazendo parte de suas engrenagens, mas nos servindo dele. Seria correto? estaríamos contribuindo pra um Mundo melhor? Ou é só uma aldeia de pessoas egoístas e narcisistas que querem se isolar do mundo? Que frutos isso poderia dar ou não?
Abraços a todos!
Resposta De Mirla Amorim:
Lendo agora as palavras do engenheiro , da minha parte digo que nunca tiraremos o sistema de dentro de nós e temos que partir desse ponto e refletir como ter uma vida melhor com nossas limitações, o importante será a consciência individual dos integrantes da aldeia que têm que ser todos sonhadores com o pé no chão, como me considero e ter como dirigente a força suprema do universo, se começarmos a fazer política nada mudará, é difícil demais juntar 20, 30, 40 mentes assim porém o sonho existe e temos que acreditar para continuarmos respirando nesta terra e sentindo dignidade.
Cap 2
As pessoas se colocam, de uma maneira geral, em relação a este estado atual de insatisfação, pelo menos de 5 maneiras diferentes (aproveitando um texto de um amigo).
1- Auto-isolamento: sentem-se impotentes e incapazes de participar do que quer que seja para reverter esse quadro ou implementar um quadro alternativo positivo. Sentem-se derrotados ou incapazes diante de tudo;
Eu não saberia dizer que percentagem da população está incluída neste segmento. Mas sei que são, sem nenhuma dúvida, a maioria esmagadora de nós. São pessoas que por sua origem, criação, dificuldades, oportunidades e educação nunca foram protagonistas nem de suas próprias vidas e que, diante de uma situação em que os problemas são bem mais complexos, recolhem-se para observar e se movem mais pelo medo do que supõem que conhecem do que por qualquer outra coisa.
Fazem parte de uma maioria que acham que o mundo está pronto, gostando ou não dele, e se veem apenas como peças num grande tabuleiro onde deuses, políticos, líderes e grandes patrões movem as peças. Seguem docilmente as leis mesmo não concordando com elas (e sempre as transgridem quando sabem que não vão ser pegos), assistem na TV o que maioria vê, não leem além de manchetes, nem riem, nem choram ... sobrevivem.
Reflitamos sobre isso e depois falamos dos outros quatro tipos.
Fernando
Cap 3
A segunda maneira de se colocar diante deste intrigante momento é:
2- Assumir uma causa... ou mais de uma numa perspectiva mais ou menos fechada, particular; e lutar pacificamente por ela na expectativa de ao menos influenciar o destino da humanidade como um todo num rumo mais digno para todos: ecologia, medicina natural, sustentabilidade doméstica, alimentação orgânica, práticas metafísicas, vida no campo ou em pequenas cidades, profissões "ligth", etc.
Neste segmento estão os 'rebeldes light com causa'. Gente que não quer ficar parado, que se sente verdadeiramente incomodado em não fazer nada e acha, de verdade, que seu grão de areia é importante para, somado a outros, construir a montanha que será a redenção de todos nós.
Mas sabe que não será na sua geração que a tal mudança que ele espera vai verdadeiramente chegar. E se lhe for perguntado que mudança é esta, ele será capaz de dizer muito claramente do que não gosta e mais genericamente de como gostaria que fosse. Acha o 'sistema' poderoso demais mas diz, com sua postura, que não concorda com ele.
Em geral são sonhadores bem intencionados, bons cidadãos, pais inseguros, pessoas 'do bem', um pouco desligados das 'coisas mundanas', amantes amadores de artes e artesanato, frequentadores de grupos 'alternativos', mas muitas vezes com um pé bem fincado num emprego público ou tradicional, que lhe mantém no 'sistema', pagando as contas, enquanto pratica sua rebeldia saudável.
Fernando S Pacheco
Flutuar Empreendimentos Ltda
Flutuar Empreendimentos Ltda
André Parisi: Gostaria de colocar aqui um comentário que achei excelente, e agradeço demais a pessoa que não se identificou, mas que deu uma ótima contribuição a discussão. Quero dizer que compartilho desse pensamento também:
Criar novas formas de se relacionar com o próximo, é um ato natural e não uma fuga por não conseguir se adaptar ao meio. É uma escolha. Uma atitude baseada nas leis da natureza. As moléculas se formam harmonicamente. Somos seres quânticos e podemos nos movimentar da mesma forma. Randomizar pra lá e pra cá, em uma deriva habitacional, tentando parar definitivamente em um lugar perfeito é muito arriscado. É muito fácil para nós, nômades do aluguel, nos chocarmos culturalmente em cada esquina, em cada território pseudo-conquistado.
A geometria caótica e cinza que estamos construindo pra viver é uma bola de neve que pelo jeito nunca irá parar de crescer. Por isso, nada mais lógico do que ver naturalmente pessoas inteligentes buscando a solução para seus problemas, em vez de tentarem "mudar o mundo". Isso se faz a longo prazo, com o tempo devido para que nossos filhos e netos encontrem novas rotas menos agressivas ao espirito humano. Enquanto isso, temos o direito de sonhar com um espaço de convivência harmônica, onde tenhamos paz, segurança, cordialidade, consenso, cooperativismo e felicidade.
Se esta vida for a única, por que viver sofrendo? Se esta vida for apenas uma das inúmeras vidas que estamos tendo, por que não plantar esta semente para um dia retornar?

Vejo a intenção de se afastar, como uma atitude consciente de não aceitar modo de vida doentil que a grande massa escolheu para si. Não apenas reclamando mas fazendo acontecer. Será que nascemos no meio de uma cidade por acaso? Devemos ficar neste meio até o fim? Por que não se movimentar? Ir além? Voltar ao inicio?
ResponderExcluirCriar novas formas de se relacionar com o próximo, é um ato natural e não uma fuga por não conseguir se adaptar ao meio. É uma escolha. Uma atitude baseada nas leis da natureza. As moléculas se formam harmonicamente. Somos seres quânticos e podemos nos movimentar da mesma forma. Randomizar pra lá e pra cá, em uma deriva habitacional, tentando parar definitivamente em um lugar perfeito é muito arriscado. É muito fácil para nós, nômades do aluguel, nos chocarmos culturalmente em cada esquina, em cada território pseudo-conquistado.
A geometria caótica e cinza que estamos construindo pra viver é uma bola de neve que pelo jeito nunca irá parar de crescer. Por isso, nada mais lógico do que ver naturalmente pessoas inteligentes buscando a solução para seus problemas, em vez de tentarem "mudar o mundo". Isso se faz a longo prazo, com o tempo devido para que nossos filhos e netos encontrem novas rotas menos agressivas ao espirito humano. Enquanto isso, temos o direito de sonhar com um espaço de convivência harmônica, onde tenhamos paz, segurança, cordialidade, consenso, cooperativismo e felicidade.
Se esta vida for a única, por que viver sofrendo? Se esta vida for apenas uma das inúmeras vidas que estamos tendo, por que não plantar esta semente para um dia retornar?
Excelente seu comentário! Tomei a Liberdade de junta-lo a discussão. Tudo isso contribui pra base filosofica do nosso sonho. Muito obrigado!!!
ExcluirAlguma novidade em relação ao hiperadobe ou Bricker-adobe?! Modelos de casa?! Cursos acontecendo, mais informações quanto a regulamentação e aprovação de financiamentos para estes modelos de casa?!
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